No Brasil, mesmo a maioria da população sendo constituída por mulheres, os homens têm predominância nos partidos políticos e na ocupação de cargos eletivos, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral. Entre 2016 e 2022, o Brasil teve, em média, 52% do eleitorado constituído por mulheres, mas apenas 33% de candidaturas femininas e somente 15% eleitas. Esse tema foi uma das principais pautas do 1° Fórum Alepe Mulher, realizado pela Assembleia Legislativa, nesta semana. A deputada Socorro Pimentel, do União, participou da abertura do fórum, relatando os desafios que as mulheres enfrentam no dia a dia, tanto em casa e no trabalho, quanto na política. “Ainda persiste muita desigualdade entre os gêneros, ainda persiste a falta e a redução no número de mulheres na política em nosso país, ainda persiste a redução e a desigualdade salarial na mulher no campo de trabalho. ”
A deputada Dani Portela, do PSOL, parabenizou a iniciativa da realização do Alepe Mulher. Entre os desafios citados pela parlamentar, está a dificuldade de acesso a creches pelas mulheres que são mães, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal de que o poder público deve assegurar esse atendimento. Ela ainda lamentou a desigualdade do número de mulheres em relação aos homens na política pernambucana. Das 49 cadeiras do Poder Legislativo Estadual, apenas seis são ocupadas por mulheres. “Nós estamos em mais um ano de eleição 2024, nós precisamos dar uma resposta, uma resposta para que as casas legislativas, que são as casas do povo, reflitam o que a sociedade representa.”
Já a deputada Simone Santana, do PSB, fez um apelo para a volta da ação Mulheres na Tribuna, promovida pela Comissão da Mulher em 2018. Na ocasião, mulheres visitavam a Alepe e acompanhavam as atividades legislativas e os trabalhos parlamentares, com o objetivo de incentivar a participação delas na política. Ações como essa são fundamentais, na avaliação da deputada. “É redundante dizer, mas é muito bom que a gente reforce que nós somos maioria, e por que que a gente não se faz representar, então, essa é a questão que fica no ar.”
A deputada Débora Almeida, do PSDB, relatou experiências e preconceitos vivenciados na política, por ser mulher. A parlamentar defendeu a existência de fundo partidário para as mulheres fazerem campanhas políticas, devido às constantes denúncias de fraudes nos partidos relacionadas às cotas de gênero. Ela ainda reforçou a importância da prevenção e do combate à violência política de gênero. “A gente precisa falar o que é violência, quais são os casos de violência, se a mulher sofre violência psicológica, se diz que ela não consegue fazer, se quer desacreditar, levar ela desacreditar na candidatura dela, se leva ela impedir de fazer a campanha, dela exercer o mandato dela.”
A primeira palestrante do dia, a diretora da Casa da Mulher do Nordeste, Itanacy Oliveira, defendeu a presença de mais mulheres negras e periféricas no campo político. “Vamos eleger sim, mais mulheres, e vamos eleger sim, mais mulheres negras. Porque a pauta das mulheres, e a pauta das mulheres negras, é o que tem garantido o avanço no campo dos direitos.”
Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, de seis mulheres, apenas duas são pretas. Segundo o IBGE, o Brasil tem 55% da população autodeclarada preta ou parda, mas apenas 8% das cadeiras do Congresso Nacional são ocupadas por essa parcela da população. A cientista política Priscila Lapa abordou a desigualdade salarial das mulheres, os obstáculos enfrentados na política, e defendeu medidas para desconstruir a cultura machista. “Igualdade salarial; desafio aos preconceitos; partilhar o trabalho doméstico, um dos pilares essenciais; entender o consentimento, a gente tem visto essa pauta avançando muito no Brasil; apoiar as sobreviventes da violência, as mulheres e o conjunto de atores que estão envolvidos na realidade de violência; e educar para igualdade é o caminho para a gente ir fazendo essa construção.”
Também esteve presente no 1º fórum Alepe Mulher, a prefeita Sandra Paes, de Canhotinho, no Agreste Meridional, que parabenizou a ação promovida pela Alepe. A secretária executiva da Mulher de Pernambuco, Juliana Gouveia, apresentou ações feitas pelo Governo do Estado, para o mês de março e destacou a importância do evento. “É um mês de a gente celebrar os avanços dos direitos das mulheres, avanço esses, fruto de muitas lutas, lutas de muitas mulheres que vieram antes de nós, que foram guilhotinadas, queimadas, assassinadas e, infelizmente, ainda continuamos sendo assassinadas pelo simples fato de ser mulher.”
Ao longo da semana, outras pautas também foram abordadas no Fórum, como educação e trabalho; saúde mental e bem-estar; enfrentamento à violência; legislação e direitos. Os debates estão disponíveis em youtube.com/@assembleiape.
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